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Trechos dos retalhos meus – parte XXIX

Todo dia um fatalista na frente do espelho. Do tipo que rechaça as providências da noite e quando amanhece já se utiliza de um vasto lastro de dor e o dia se desenrola em desespero. Reclama sozinho que toda ajuda seria bem vinda e conclui que o mundo não se relaciona consigo e não consegue, pela mesma razão, relacionar-se com o mundo ( acredita nisso e se agarra com fé ).

Diz ainda no primeiro espasmo noctívago da sua garganta, que cumpre as tarefas de maneira automatizada, pelo repetir das horas, dos dias, das semanas, por se tratarem de “tarefas”, e isso é chato.

Enquanto isso, suas mãos, não suam, sequer calejam e seu rosto quase some no propósito da baforada que pigarreia teto acima. Olhos tristes, quarta dose de um copo quase vazio e corpo desencorajado meio cheio. Todo dia um tolo na frente do espelho.

2 Comentários
  • Responder
    20 de junho de 2017, 13:24

    Há dias que sou este tolo na frente do espelho! Grato por tuas palavras meu amigo poeta!

    • Responder
      12 de outubro de 2017, 05:41

      Caro amigo… Isso foi bem “autobiográfico” hehehe. Quem nunca se viu assim, por vezes não é mesmo? Essas coisas humanas que nos testam todos os dias; mas reconheçamos também, que somos obras únicas e temos nossas excelências. Grato por você aqui.

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