morda-me, com a intenção do princípio
para que o gosto não se entenda bruto
e ao mesmo tempo se misture à superfície
morda-me e puxe o freio
até que o primeiro poro suspire e pare
e no voo, levante o pelo e envergonhe a pele
até cobri-la de vermelho
morda-me e repare, só o suficiente
para que o momento seja raro
e nem certo e nem errado
mas na medida do meio
morda-me para que tudo ali desapareça
e a beleza seja outra
e tudo se misture sem pressa
para que seja muito num instante
e para que os olhos, o tempo apreciem
e enxarcados, umedeçam o convite
depois de tudo, morda-me
