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Escopo

no íntimo deste peito quebradiço
e escancarado por poemas natimortos,
é sempre qualquer noite mal resolvida,
quase sempre e quase nunca,
e é sempre culpa qualquer noite,
e é sempre culpa-noite-minha.

desta superfície que excomunga
a pressa líquida que sai dos poros,
molha os pelos e salga a pele,
que é a minha; pelos, poros e a pele minha.
e que desce as ranhuras acusatórias
da complacência, que seca sob o efeito
do temor que ronda a coisa de toda sorte.

gestada enfraquecida, pulsilânime
e mal vestida de pouco a pouco,
enxarcada de fogo e de éter,
desnuda da vergonha a duras penas
e registrada na cama da língua,
a mesma língua que é a minha;
o véu, o éter, a cama e a língua minha.

que de nada serve senão ao propósito
das tais preces tingidas de fome afora,
e que aceita a pungência da loucura,
por não sentir por salina a desgraça
e se presta retida na anatomia desta boca,
a mesma boca que é a minha;
a loucura, a anatomia e a boca minha.

que se cala e se perde nas inferências
de uma cabeça bagunçada pela febre,
a mesma febre que é a ira de todo crença,
por ser minha, sempre minha,
feito causa e razão de toda a beleza
que suscita da desventura de um mundo
que se arrisca prum só lado de rotação,
carregando a minha vertigem,
de genitura minha, sempre minha:

juízo versus coração.

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